XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026

Perspectivas de inflação para o Brasil deterioraram e devem pressionar o Banco Central a pausar antes o ciclo de corte de juros, retomando em 2027. The post XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026 appeared first on InfoMoney.

Jun 3, 2026 - 12:00
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XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026
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Os riscos inflacionários estão mais claros e devem pressionar o Banco Central a pausar o ciclo de corte de juros antes do esperado. Para a XP, o cenário-base mudou e, agora, prevê a taxa Selic em 14% ao fim de 2026. Isso significa mais tempo com juros restritivos no país, o que encarece a concessão de crédito e limita os investimentos. O cenário só não é pior porque a valorização do real consegue conter, em partes, a inflação.

A mudança de projeção considera não apenas a guerra no Oriente Médio, que se estende além do previsto inicialmente, mas também crescem as pressões inflacionárias sobre componentes voltados à Inteligência Artificial e produtos agrícolas com a chegada de um El Niño severo, além das medidas domésticas de estímulo fiscal e crédito, que devem pressionar a demanda, avalia Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos.

E inflação pressionada vira objeto de combate do Banco Central, que tenta segurar o consumo com a taxa básica de juros.

Estímulo fiscal deve segurar atividade econômica

A estimativa da XP é que as medidas de estímulo fiscal e de crédito lançadas desde o quarto trimestre de 2025 somem cerca de R$ 200 bilhões. Esse montante tem o potencial de adicionar até 1,5 ponto percentual à taxa de variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. 

Com essa injeção de recursos na economia, a corretora manteve a projeção de crescimento do país em 2,0% para este ano. 

No entanto, a perspectiva para 2027 é de desaceleração, com o avanço do PIB caindo para 1,2%, reflexo direto da política monetária restritiva prolongada e de um impulso fiscal negativo esperado para o período.

Inflação além de 5%

A gestora revisou a projeção de inflação de 5,3% para 5,5% em 2026 (era de 3,8% em fevereiro), e de 4% para 4,2% em 2027. 

Segundo Megale, pesou na avaliação “a maior inércia inflacionária, o mercado de trabalho aquecido e algum transbordamento dos efeitos do “El Niño” para o próximo ano”.

Os dados de desemprego e renda no trimestre móvel encerrado em abril de 2026  mostraram relativa estabilidade, indicando que haverá mais renda disponível para pressionar o consumo. A taxa de desocupação está em 5,8%, e o rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.732) teve crescimento de 5,3% no ano.

Selic para em 14%

Com previsão de inflação maior, a XP vê espaço agora para mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, indo dos atuais 14,5% para 14%, seguido de pausa. Antes, a projeção era de três cortes da mesma magnitude.

“Ao recalibrar o curso da política monetária, acreditamos que o Banco Central conseguirá evitar uma elevação adicional das expectativas de inflação no horizonte de médio prazo”, escreve Megale, em relatório.

Além do aquecimento artificial da demanda, o custo fiscal dessas medidas compõem o quadro que exige cautela do Banco Central. A aceleração das despesas financeiras, necessárias para bancar as ações de estímulo ao crédito, mais do que compensam qualquer melhora primária e mantêm a dívida pública em firme trajetória de alta. 

A projeção da gestora aponta que a Dívida Bruta do Governo Geral saltará para 83,3% do PIB ao final de 2026, alcançando 88,1% em 2027, destaca Tiago Sbardelotto, economista da XP. 

Paralelamente, o setor público consolidado, que engloba União, estados e estatais, deverá registrar déficit primário de 0,5% do PIB neste ano.

Câmbio segue ancorando a inflação

Os riscos inflacionários só não são piores porque o câmbio está valorizado. Megale destaca que a taxa de câmbio brasileira segue acumulando valorização próxima de 10% ao ano e deve ficar ao redor de R$ 5, ainda que com volatilidade.

Saiba mais: Câmbio favorável e exportação de petróleo amortecem a inflação. Qual o limite disso?

A resiliência da moeda brasileira frente a um cenário global e doméstico incerto encontra respaldo nas contas externas do país. Na avaliação da economista da XP Luíza Pinese, a projeção para o superávit da balança comercial foi elevada para 85 bilhões de dólares em 2026, fortemente impulsionada pelas exportações de commodities. 

O grande destaque é o setor de petróleo, que acumula expansão próxima a 30% no ano em volume exportado. Além disso, a entrada de capital estrangeiro segue em alta. A XP revisou para cima sua projeção de Investimento Direto no País (IDP), que deve alcançar 85 bilhões de dólares, o equivalente a 3,1% do PIB, compensando a piora nas contas de serviços e renda.

Outros bancos e corretoras também revisam Selic

Itaú, Banco Pine e MAG Investimentos também reduziram as apostas de cortes na taxa básica de juros e agora projetam a Selic entre 13,5% e 14% ao fim de 2026.

No relatório do Focus, que acompanha as medianas do mercado, a Selic terminal ainda está mantida em 13,25%. Há quatro semanas, a projeção era de 13%. 

Saiba mais: Revisões de bancos e gestoras já colocam a Selic em até 14% no final de 2026

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