Terras raras de Araxá serão usadas para produção de nanotecnologia no Brasil
A mineradora australiana St George Mining, dona do Projeto Araxá, rico em nióbio e terras raras, assinou um memorando de entendimento com a empresa brasileira Nanum Nanotecnologia para aproveitar parte das terras raras do projeto e produzir produtos nanotecnológicos em território nacional. A parceria visa transformar o cério, o elemento mais abundante entre as terras raras, em compostos avançados com nanotecnologia. O cério é um elemento com várias aplicações industriais, especialmente em catalisadores automotivos, polimento de vidro e revestimentos anticorrosivos. Com a manipulação nanométrica, o insumo pode ser ainda mais eficaz em aplicações industriais e químicas. Embora o cério seja abundante entre as terras raras, ele não tem a mesma demanda estratégica que outros elementos, como neodímio e disprósio, que são fundamentais para tecnologias de ponta, como energia renovável, veículos elétricos e defesa. Sua abundância e a disponibilidade de alternativas para suas aplicações fazem do cério um elemento de menor valor estratégico. Isso ajuda a explicar a lógica econômica do metal: o cério é importante, útil e industrialmente relevante, mas não costuma ser o “astro” do mercado, porque existe em volume muito maior do que elementos mais valorizados. Na prática, a St George Mining está tentando transformar um elemento menos valorizado em um produto mais rentável e útil, criando novas oportunidades de negócios e agregando valor ao recurso presente no Projeto Araxá. O memorando prevê a realização de estudos tecnológicos, testes químicos e avaliação de rotas de processamento capazes de transformar o cério em produtos comerciais. A parceria também avalia a possibilidade de acordos de fornecimento de longo prazo para o material processado, com o objetivo de fortalecer a cadeia industrial brasileira e promover o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no país. Hoje, a Nanum Nanotecnologia já produz a dispersão de NanoCério, que é feita de partículas pequenas de cério, altamente estáveis e bem distribuídas. Esse material ajuda a acelerar reações químicas e evitar a oxidação, utilizado em catalisadores automotivos. O diretor-geral da St George no Brasil, Thiago Amaral, afirmou que a parceria amplia as possibilidades tecnológicas do projeto. “Araxá reúne um conjunto de minerais estratégicos que ganham importância crescente frente às demandas da economia global neste momento. À medida que aprofundamos o conhecimento sobre esse recurso, surgem novas oportunidades de agregar valor e criar negócios no Brasil, reforçando nossa cadeia industrial”, disse. O projeto da mineradora australiana é considerado um dos mais inovadores pela estratégia de minerar nióbio e terras raras no mesmo depósito. No início do mês, a St George anunciou um aumento de 75% na estimativa de recursos minerais do Projeto Araxá. O depósito passou a contar com 70,91 milhões de toneladas de recursos, com teor médio de 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio. O teor de 4,06% de terras raras é considerado elevado para projetos de terras raras fora da China, país que hoje domina a produção e o processamento desses minerais estratégicos.





