Fiesp: Acordo Mercosul-UE pode ajudar a resolver impasse das exportações brasileiras
Presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da entidade, Roberto Azevêdo afirma que aproximação entre os blocos criará mecanismos para lidar com disputas regulatórias The post Fiesp: Acordo Mercosul-UE pode ajudar a resolver impasse das exportações brasileiras appeared first on InfoMoney.

O acordo entre Mercosul e União Europeia pode ajudar a resolver uma série de impasses comerciais entre os dois blocos, incluindo a remoção do Brasil do rol de países autorizados a exportar carne aos membros europeus, decisão tomada com base nas novas regras de controle do uso de antibióticos na pecuária. Esta é a opinião do presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Azevêdo.
Para Azevêdo, divergências regulatórias tendem a se tornar mais frequentes à medida que a integração econômica entre os blocos avança. Segundo ele, o acordo criará instrumentos institucionais capazes de endereçar uma solução para discordâncias como essa. O ex-diplomata brasileiro, que foi diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), esteve no evento Diálogo Empresarial Mercosul-União Europeia, organizado pela Fiesp nesta terça-feira.
— Não tenho a menor dúvida (de que essa proximidade pode ajudar a endereçar impasses como o envolvendo as exportações brasileiras). Essa proximidade vai levar naturalmente a duas coisas. Primeiro, haverá mais divergências e mais polêmicas com relação a regulamentos, fluxos de comércio, tratamento nas fronteiras. Isso é natural, à medida que o fluxo comercial e a integração econômica vão aumentando, você terá mais divergências.
Ele lembrou que o acordo deverá criar mecanismos para administrar essas divergências:
— E a outra coisa que vai acontecer também é você criar os instrumentos que permitam a superação dessas situações. Então normalmente você cria comitês técnicos, você cria foros de debate, de discussão, a instância política também pode se envolver para poder tentar resolver a situação e há também o mecanismo de solução de controvérsias que costuma ser muito eficaz.
Já a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo representa mais oportunidades, previsibilidade e integração entre duas regiões que compartilham interesses estratégicos em áreas como transição verde, transformação digital, infraestrutura, energia limpa, agronegócio sustentável e economia circular.
Segundo ela, o tratado deve ampliar o acesso das empresas brasileiras ao mercado europeu e reduzir custos, além de prever regras mais estáveis para investir. A embaixadora também destacou a relevância política do acordo diante do cenário internacional turbulento:
— Em um período de tensões geopolíticas e de incerteza econômica crescente, este acordo entre a União Europeia e o Mercosul envia uma mensagem clara. Acreditamos no comércio aberto, baseado em regras, sustentável e mutuamente benéfico. É precisamente por isso que este diálogo empresarial é tão importante.
Azevêdo, da Fiesp, disse também que a negociação das cotas entre países do Mercosul deve ser ajustada internamente. Os membros do bloco ainda não chegaram a um entendimento sobre a divisão das cotas de importação no acordo com a União Europeia.
Segundo as regras, alguns produtos terão o imposto de importação reduzido, com determinados itens tendo que obedecer um sistema de cotas para ter alíquota mais baixa. Passado o limite, os produtos excedentes ficam sujeitos ao imposto integral.
No caso da carne bovina, por exemplo, a cota é de 99 mil toneladas anuais, com taxa de 7,5%. Essa quantidade deve ser dividida entre os quatro países do bloco:
— Acho que, como essa, haverá várias outras situações em que os países do Mercosul vão ter que entender melhor qual é o impacto sobre eles, como eles normatizam as relações entre eles e se beneficiam das oportunidades que vão se apresentar com a União Europeia. É uma questão de diálogo, de conversar, essas questões vão aparecer com mais e mais frequência.
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