China avança, EUA reagem: disputa entre potências redesenha a economia mundial

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Mai 29, 2026 - 16:00
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China avança, EUA reagem: disputa entre potências redesenha a economia mundial

A disputa entre Estados Unidos e China deixou de ser apenas uma rivalidade econômica e passou a redesenhar a economia mundial. À medida que empresas chinesas avançam em setores estratégicos, como telecomunicações, inteligência artificial e mobilidade elétrica, os EUA reagem com sanções, tarifas e restrições tecnológicas que afetam cadeias produtivas, decisões de investimento e fluxos de comércio ao redor do mundo.

Para Ricardo Geromel, especialista em China e autor do livro O Poder da China, e Jorge Hargrave, diretor da Maraé Investimentos, o embate já está em curso e tende a se intensificar nos próximos anos. “Existe uma guerra que já é real: Estados Unidos e China”, afirmou Geromel.

As declarações foram feitas no programa O Clima na Faria Lima, do InfoMoney, apresentado por Marina Cançado.

Tecnologia virou campo central da disputa

O conflito entre as duas potências se concentra, cada vez mais, em setores estratégicos — e a tecnologia está no centro dessa disputa. Empresas chinesas têm avançado rapidamente em áreas como telecomunicações, inteligência artificial e mobilidade elétrica, muitas vezes com produtos mais baratos e competitivos.

Esse movimento, segundo os especialistas, não é marginal. É estrutural. Hargrave resume essa dinâmica ao destacar que empresas chinesas vêm ganhando espaço global com uma proposta difícil de competir: “melhor e mais barato”.

Regras do jogo estão sendo reescritas

Um dos pontos centrais do debate é que o confronto não segue apenas as regras tradicionais do mercado. Quando a China avança em determinados setores, os Estados Unidos tendem a reagir com medidas que vão além da competição econômica.

Geromel chama atenção para esse comportamento. “Os Estados Unidos se mexem quando a China avança e está na frente”, diz. Na prática, isso se traduz em restrições regulatórias, sanções e barreiras comerciais. Um movimento que já é observado em áreas como 5G, semicondutores e carros elétricos.

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Guerra comercial e tecnológica se sobrepõem

A disputa também se manifesta por meio de tarifas e limitações ao acesso a mercados. De acordo com os especialistas entrevistados, o cenário atual combina guerra comercial e guerra tecnológica, elevando o nível de incerteza global.

Além disso, há uma convergência rara dentro dos Estados Unidos. “Republicanos e democratas concordam na agenda de desacelerar o crescimento chinês”, destacou Geromel. Isso indica que o movimento de contenção não deve ser revertido no curto prazo.

China se preparou para o embate

Se por um lado os EUA intensificaram as restrições, por outro a China já vinha se preparando para esse cenário. Ao longo da última década, o país diversificou parceiros comerciais e ampliou sua presença em mercados emergentes. Hargrave destaca que essa preparação foi deliberada. “Eles entenderam que esse embate só ia crescer e se prepararam para isso”, conta.

A estratégia inclui maior aproximação com Sudeste Asiático, África e América Latina, reduzindo a dependência de mercados tradicionais.

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Exportação de capital ganha força

Outro movimento relevante é a mudança no modelo de expansão chinesa. Diante de um superávit elevado e da crescente resistência internacional, empresas chinesas passaram a investir diretamente em outros países.

A lógica é clara: contornar barreiras e ganhar presença local. Segundo Hargrave, essa tendência deve se intensificar. “A estratégia agora é exportar capital, levar empresas para produzir fora”, comenta.

Mundo mais fragmentado – e mais complexo

O resultado desse embate é um ambiente global mais fragmentado, com cadeias produtivas sendo reorganizadas e decisões econômicas cada vez mais influenciadas por fatores políticos.

Para países como o Brasil, o desafio será navegar esse cenário sem precisar escolher lados. E Geromel faz um alerta sobre esse risco. “Seria horrível para nós ter que escolher um lado”, diz.

Em relação aos investidores, a dinâmica entre China e Estados Unidos deixou de ser uma questão distante e passou a ser central para a leitura de mercados. Mais do que uma disputa entre potências, trata-se de uma transformação estrutural da economia global.

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