Fechando o Ano com Consciência: Escolhas, Direito e Prevenção
Dra. Karina Prado - Advogada, Escritora e Palestrante - Instagram:@karinaprado.adv
Estudos indicam que realizamos, em média, cerca de 4.000 escolhas por dia. Aproximadamente 90% delas são inconscientes e apenas 10% conscientes. Ainda assim, mesmo as decisões que parecem pequenas ou irrelevantes vão, silenciosamente, definindo o rumo da nossa vida. Escolher é um ato cotidiano, inevitável e profundamente transformador.
Amanhã é o último dia do ano. Esse marco simbólico costuma nos conduzir à reflexão: o que fizemos, o que deixamos de fazer e, sobretudo, o que escolhemos. O encerramento de um ciclo naturalmente nos convida a olhar para trás e, ao mesmo tempo, projetar o futuro. E nesse exercício de balanço, torna-se evidente que cada escolha feita ao longo do ano trouxe consigo uma renúncia, algumas conscientes, outras não; algumas racionais, outras emocionais, algumas acertadas, outras que ensinaram pela dor.
Durante toda a vida, somos constantemente colocados diante de situações em que precisamos decidir. Escolher exige equilíbrio entre a vibração da emoção e a consciência da razão. Exige responsabilidade, pois toda decisão gera consequências. Vimos isso claramente nas eleições: dentre centenas de candidatos, foi possível escolher apenas um, ainda que nenhum fosse exatamente tudo o que se esperava, a escolha foi necessária. Assim também é na vida.
Desde a infância até a velhice, vivemos imersos na lógica da “escolha X renúncia”: a fruta ou o doce, o grupo ao qual pertencemos, o relacionamento que assumimos, o emprego que aceitamos, o negócio que abrimos, o momento de parar ou recomeçar. Ao final de mais um ano, percebemos que não somos definidos apenas pelos sonhos que tivemos, mas principalmente pelas escolhas que efetivamente fizemos.
O que muitas vezes passa despercebido é que grande parte dessas escolhas possui reflexos jurídicos relevantes. Assinar um contrato, abrir uma empresa, definir o regime de bens no casamento, comprar ou vender um imóvel, organizar a sucessão patrimonial, escolher a forma de tributação. São decisões que, quando tomadas sem orientação adequada, podem transformar expectativas em problemas, alguns deles duradouros e custosos.
Por isso, falar em escolhas no último dia do ano é também falar em prevenção. A consultoria jurídica preventiva deve ser encarada da mesma forma que a medicina preventiva: não se espera a doença se agravar para procurar ajuda. Da mesma maneira, não se deve aguardar o conflito surgir para buscar um advogado. Consultar um Advogado antes de assinar contratos e solicitar a elaboração adequada de instrumentos jurídicos em vez de recorrer a modelos genéricos da internet ou a profissionais que não são do Direito, assim como realizar planejamento tributário, patrimonial e sucessório são escolhas conscientes que evitam litígios futuros.
O encerramento do ano é um momento oportuno para rever decisões e, principalmente, planejar as próximas. Planejar juridicamente é escolher segurança, previsibilidade e tranquilidade. É compreender que improvisar no Direito quase sempre custa mais caro do que prevenir.
Embora escolher nem sempre seja fácil, é um privilégio poder fazê-lo. Somos autores e protagonistas das nossas próprias escolhas e responsáveis por seus efeitos. E você, ao fechar este ano, já escolheu entre “persistir ou recomeçar”, “planejar ou deixar para depois”, “agir por impulso ou com orientação”?
Ao virar o calendário, lembre-se: cada escolha é uma renúncia. E quando se trata de decisões com impacto jurídico, escolher com consciência e apoio profissional é a melhor forma de iniciar um novo ano com segurança e paz.
Encerro minha última coluna do ano desejando a você, leitor do Jornal do Interação, um 2026 repleto de alegrias, bênçãos e boas escolhas, mesmo diante das renúncias que a vida exige.



