Uma História em muitas vidas: Carlos Rosa e Cecília Beatriz - Parte 2
Sô Carlito merece parabéns pela família; é um herói, casado há 66 anos com a mesma mulher! Chamada de “roceirinha bonita” pelos aviadores, naquela época, aluna do Colégio São Domingos.
Turma amiga, entusiasmada com o “meu namorado”, até as que iam à fazenda namorar de avião. No início, só sobrevoava; depois foi feito campo de pouso!
Freiras, nossas encantadoras mestras, consideravam o Carlito como “o nosso noivo”! Estiloso, 23 anos, livre, era o genro que as mães queriam, cobiçavam, mas... eu era menina, não tinha ciúme ou preocupação, estava segura no meu poder!
Todos os anos, nossa turma promovia a “Semana da Asa”, de 23 a 30 de outubro mais ou menos.
As ideias ferviam... Homens no Colégio? Inédito! A vigilância arregalava os olhos! Os sexos não se misturavam! Tudo era pecado! As “invejadas” do Curso de Formação eram aplaudidas! Com brinde, fomos convidadas para voar, só com Carlito. Passamos inesquecíveis momentos no então chamado Campo de Aviação, mais tarde batizado como Aeroporto Romeu Zema.
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A turma cantava, os aviadores ficavam em posição patriótica, sem rebolar, sem gritar, a emoção chegava, bola de fogo com palmas, poesias, vozes fortes de Auxiliadora Alves, Paulita, Geni acompanhadas ao piano por Terezinha Mesquita. Eu era a namorada do charmoso (esse qualificativo não existia!) aviador Carlito, que guarda bons momentos do seu tempo: a juventude, a infância, lá vem o Aeroclube, o Najá Futebol Clube, as moças bonitas! Egly, paulista bonita, hóspede da Família Pezzuti, cobiçada vendedora de beijos na Barraquinha das Rosas, em prol do término da Igreja Matriz. Era só um “selinho”, a moçada fazia fila! O dinheiro enchia o cofre! O vigário nem piscou! Bina, bonita, era a deusa da Barraca das Orquídeas. Para ela, não havia o problema, tudo era em benefício!... Célia Pereira, Miss Araxá linda, perfeita, vendia cravos em profusão. Foi triunfal sua entrada dentro de enorme arranjo de cravos como veste. Um ôôô correu no espaço, mas ela estava vestida e bela!
As barraquinhas? Foram uma idealização de Dona Doralice Afonso Azevedo. A idealizadora comandou a festa até o amanhecer do dia.
Do burburinho, uma vez fez-se ouvir:
- “Compro todos os cravos!...”
Eu era menina, uns 12 anos, talvez menos, gostei do rapaz, prestativo, rápido... Era o Carlito. Entregou-se à tarefa de contar os cravos! Dona Doralice, companheiras, cantavam daqui, dali, final... 2016 cravos!
-“2016... 2016!” um leiloeiro repentista gritava: “2016!”, enquanto o moço preenchia o cheque.
O hábil leiloeiro gritava: “Multiplica por 2, por 3, outra voz seguia, por 5!” ... Assim o leilão varou a noite. Na brincadeira, Kali Guimarães improvisava com os amigos!
- “Eu pago!... Eu pago!... Eu gosto dela!... Eu pago! Eu pago!”. Adorei!
Até hoje não sei o valor do cheque. Foi o assunto da cidade! Sucesso da Barraquinha dos Cravos – 1º lugar!
Carlito e Beatriz se conheceram numa matinê dançante no Clube Brasil – tempos depois das barraquinhas – em 02/03/1946. Já dançamos todos os ritmos! Aprendemos “heróis são pessoas que fizeram o que era necessário no presente” Depois!... é depois.
Com a chegada dos filhos, houve mais realização pessoal, mais desenvoltura nas nossas atitudes em todos os setores de nossa vida, a sós ou a dois. Amadurecemos! Dentro de um contexto social, a família, núcleo da sociedade já perdendo os seus valores. Engajamos na linha da nossa fé, liderados pelo novo vigário Pe. José Lacerda Sobrinho. Fundamos, com outros casais lutadores, amedrontados, cientes do momento do mundo, o M.F.C. (Movimento Familiar Cristão). Foco principal: Curso de Preparação para o casamento, a Igreja Católica Apostólica Romana na nova fase – pós Pio XII, saiu de seu silêncio - orar, orar e orar! Deu outra leitura aos evangelhos, fez outros apóstolos, escancarou as portas da casa de Deus, propondo um novo cristão de 24 horas! Sem siglas, raças, roupas e dias.
Cecília Beatriz Porfírio Pereira Rosa, é filha de José P. Borges e Cecilia Porfírio de A. Borges, nasceu em Araxá em 03 de julho de 1929, culta, incondicionalmente comprometida com problemas sociais faz parte da Academia Araxaense de Letras com a cadeira de número 07. Diz a crença que o homem tem medo da mulher inteligente, muito mais do que isso proporcionou ao casal Carlito e Beatriz viverem praticamente a vida toda juntos, com muito amor, dedicação e comprometimento, criaram uma família com 08 filhos, 18 netos e 5 bisnetos:
Carlos Rosa Jr. – filha Victória
Claudia Beatriz Rosa – Bruno, Luciano Izabella e Lucas
Tulio Rosa – Gustavo e Marco Túlio (Ana Victória e João Victor)
Leandro Rosa – Bruna e Leandrinho (Manuela)
Luciana Rosa – Rafael (Felipe), Paola e Gabriela (Maria Victória)
Daniel Rosa - Bruno
Isaias Rosa – Lucca e Kadu
Lorena Rosa – Matheus, Guilherme e Gabriel
A reportagem faz parte da Revista Araxá número 03 de outubro de 2016.



