Franklin Benjamin de Castro - Parte 1
Naturalidade
O médico Franklin Benjamim de Castro, natural de Oliveira (MG), era diplomado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Não foi possível identificar o ano de seu nascimento, apenas a data de óbito: 11 de março.
Seu contato com Araxá aconteceu por meio das relações que sua família mantinha com a do Coronel Adolpho Ferreira de Aguiar, fazendeiro e líder político na região.
Ele foi casado com Olga Magalhães Castro, filha do Capitão Antônio Chaves de Magalhães, com quem teve 8 filhos: Clovis, Murilo, Dicum, Jaime, Aracy, Moisés, Paulo e Hélio. Ele faleceu em 1939.
Urbanização
Em sua administração, diversas obras públicas foram realizadas: serviço de abastecimento de água, energia elétrica, instalação de rede de esgoto, telefonia, calçamento e arborização de ruas.
O espaço público passou a ser, obrigatoriamente, objeto de atenção e de embelezamento por parte dos administradores.
No centro do poder local, o Cel. Adolpho foi o articulador da ascensão política do Dr. Franklin. Também conquistou a função de homem influente no comércio, ao desajustar o pensamento da cidade.
O processo de implantação de serviços modernos multiplicou-se na cidade: abastecimento, urbanização, acessos às redes públicas, somando-se às condições de insalubridade, como esgotos e lixo urbano, proliferação de mercadorias e do aproveitamento das nossas fontes de águas minerais.
Insalubridade
Para tentar amenizar a questão da insalubridade, frequentes nos locais urbanos foram criados órgãos responsáveis pela higiene e saúde públicas.
Um interessante movimento denominado inicialmente de “Delegação de Higiene e de Vacinação” foi constituído no município.
O delegado responsável era o médico contratado para a Boa Vista.
Como delegado de higiene, Dr. Augusto Montandon, que permaneceu como médico até 1919, quando foi substituído por Dr. Heitor Augusto Montandon.
Imprensa
Dr. Franklin estreou na imprensa, levando informações, expondo seu pensamento político e defendendo causas sociais.
O “Correio de Araxá” foi o primeiro jornal a se instalar, em 1895. Dirigido pelo Cel. Adolpho Ferreira de Aguiar, contou com a colaboração de Dr. Franklin, que se tornou figura de destaque nos debates públicos.
Administração
De tal estatura, em função das candidaturas de Marechal Hermes e do civil Rui Barbosa à Presidência da República, teve seu mandato inicialmente prorrogado em 1910.
A partir de então, sua presença no executivo municipal notabilizou-se por medidas de progresso e modernização.
Desta primeira fase de suas gestões, datam: a criação da Cadeia Pública (1909), a criação do “Grupo Escolar” (1911), depois reinaugurado como “Delfim Moreira” e a construção do matadouro que seria concluído somente em 1917 pelo seu sucessor.
Para bem prover o projeto da sonhada balneária que Araxá já acalentava, o governo Dr. Goyaz incluiu a construção do ramal ferroviário que viria atender a região.
Os embates econômicos do período expressavam-se na modalidade de transporte, já que o trem representava os ideais do progresso.
Centralização
Durante muito tempo o cargo de agente executivo municipal esteve vinculado ao de provedor da Santa Casa de Misericórdia. Dessa forma, mantinham-se asseguradas as posições políticas ainda que tal procedimento causasse insatisfação e protestos.
Por isso, Dr. Franklin assumiu a função executiva somente em 1911 e a exerceu até 1914.
A centralização do poder nas mãos do agente municipal viu-se consolidada em 1911: diante do combalido estado de saúde de seu fundador, Cel. Adolpho, o Partido Republicano Mineiro (PRM) pôs nele confiança.
Nessa função, substituiu Dr. Belarmino de Paula Machado e o vereador Amândio Afonso, escrivão do 1º Ofício.
Pelo mesmo Partido Republicano Mineiro foi então incluído na chapa oficial da comissão executiva.
Assumiu a cadeira de deputado Estadual para o triênio legislativo 1911-1914, em substituição a Jaime de Sousa Lima, cassado pelo governo.
O cargo de deputado não implicava renúncia aos seus direitos executivos.
No Parlamento Estadual atuou intensamente, para ratificar no “Congresso Mineiro” a sua posição de prefeito, sendo que foi substituído pelo novo agente executivo, Major Astolpho Rodrigues Valle.
Finalmente, a luz
Em 12 de outubro de 1914 inaugurou-se a energia elétrica em Araxá.
Para isso, foram construídas a usina, a subestação e as linhas de transmissão.
A companhia foi a Empresa Força e Luz de Minas Gerais.
Parte dos recursos financeiros foi originária da municipalidade.
A cidade foi decorada com bandeirolas, foguetes, iluminação e apresentações musicais, além de discursos políticos, religiosos e bailes.
A primeira estação de luz elétrica na cidade foi proporcional à sua cerimônia de inauguração.
No dia 12 de outubro, toda intensamente comemorada, houve salva de tiros e alvoradas com bandas musicais pelos professores Elias Bráulio de Azevedo e João Cecílio Damasceno.
Autoridades e famílias destacaram-se para enfeitar as praças, por onde passavam, desfilando e irradiando com o esmero dos preparativos.
O advogado Dr. André Aguirre proclamou: “Esta cidade se rejubila e se engrandece com a instalação da luz elétrica” (Correio de Araxá, 1914).
“Na própria casa do médico, a rua foi iluminada, o que propiciou a bênção das novas instalações.”
A festa contou com expressivos atos, tanto cívicos como religiosos.
Estes comemoraram-se com a realização de um baile oficial (no coreto da praça) destinado à elite, sendo que o “Grupo Escolar” teve consideradas apresentações especiais.
Continua na próxima edição.
Fontes: Revista O Trem da História nº 30 de julho de 2000. FCCB
Fonte:
Arquivos SPH/FCCB
Arquivos da Câmara Municipal de Araxá
Referência Bibliográfica:
· CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
· MARTINS, Ana Luiza. Revista: um outro olhar. São Paulo: Contexto, quarta edição, 1996.
Legenda da foto:
Eis a Praça Cel. Adolpho no dia da inauguração do serviço de luz elétrica, em 12/10/1914. No centro da praça vê-se um coreto armado especialmente para a festa. Atrás dele, o prédio da subestação de energia.
(Arquivo SPH/FCCB-00320. Doação: Dalva Santos Zema).






