Superatleta Catarina Porfírio brilha também no Jiu-Jítsu
O que define a escolha de um esporte? Dom, força, coragem, determinação, disciplina, vontade? Talvez cada modalidade exija uma virtude específica, mas é na soma de todas elas que nascem os grandes atletas — aqueles que transformam limites em ponto de partida e desafios em combustível.
Catarina Porfírio é um desses raros exemplos. Nascida para o movimento e para o enfrentamento, sempre encarou a vida com destemor. Obstinada, corajosa e inquieta, fez do esporte um território natural para testar sua resistência física, mental e emocional. Onde havia dificuldade, ela via oportunidade. Onde havia risco, via superação.
Ainda na infância, destacava-se na natação, mas deixou o tempo seguir seu curso. Com o amadurecimento, percebeu que a força e a resistência eram traços que pulsavam forte em sua essência. A adrenalina das competições falou mais alto, e o triatlo tornou-se o palco ideal para seus primeiros grandes desafios. Foram anos de conquistas expressivas, incluindo a participação em vários Ironman, prova que exige não apenas preparo físico extremo, mas também controle mental e resiliência.
Impulsionada pela excelência na natação, Catarina decidiu ir além. Buscou provas onde o adversário principal não era outro atleta, mas a própria natureza. Vieram as travessias em águas abertas: a tradicional Prova 14 Bis, a maratona aquática de 24 km entre Bertioga e Guarujá, a travessia entre o Leme e o Pontal, no Rio de Janeiro, até chegar ao desafio mais temido — o Canal da Mancha, enfrentado por duas vezes.
Ali, onde as regras são ditadas pelo mar, pelo vento e pelas correntes imprevisíveis, Catarina conheceu seus próprios limites e também a generosidade da natureza. As tentativas não alcançadas, impostas por condições extremas, serviram como um treinamento silencioso para aquilo que se tornaria seu maior feito esportivo.
Em janeiro de 2022, entrou definitivamente para a história ao se tornar a primeira brasileira a completar, em nado solo, os 53 km entre a Praia Vermelha e a Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Enfrentando correntes contrárias e condições climáticas adversas, nadou por 21 horas e 6 minutos ininterruptos. O feito foi reconhecido pelo Guinness World Records e pela World Open Water Swimming Association (WOWSA).
Após essa conquista monumental, Catarina sentiu a necessidade de desacelerar. O corpo e a mente pediam pausa. Vieram o descanso, o convívio com a família e uma nova rotina. Mas o cérebro de um superatleta até descansa — nunca perde o foco. E foi justamente nesse intervalo que surgiu um novo chamado.
O próximo desafio parecia improvável: as artes marciais.
“Entrei em maio de 2022 no jiu-jítsu logo depois de ter entrado para o Guinness. Eu estava muito estafada da rotina exaustiva da natação de ultra distância, que me exigia cerca de seis horas de treino por dia.”
Sem compromisso com resultados, apenas com a curiosidade de experimentar algo novo, Catarina iniciou no jiu-jítsu.
“Nunca havia praticado esporte de luta. A ideia era apenas conhecer outra modalidade, sem intenção de alta performance.”
O que era para ser apenas uma experiência tornou-se paixão. A disciplina, a técnica e o enfrentamento direto despertaram nela o mesmo espírito competitivo que sempre a acompanhou. Com dedicação intensa — até três treinos diários — Catarina rapidamente passou a se destacar também nos tatames.
Em menos de quatro anos, construiu um currículo impressionante, com conquistas nos principais campeonatos do mundo:
• Campeã Sul-Americana
• Vice-campeã Europeia FR
• Bicampeã Brasileira BR
• Campeã Open New Jersey
• Double Gold American National
• Tricampeã Norte-Americana
• Campeã Mundial No-Gi
• Tricampeã Mundial Gi
• Oito vezes campeã estadual em Utah
A história de Catarina Porfírio é mais do que uma sequência de títulos. É o retrato de uma atleta que entende o esporte como um caminho de autoconhecimento, superação e constante reinvenção. Seja enfrentando mares revoltos ou adversárias no tatame, ela segue fazendo o que sempre soube fazer: ir além.
Qual é a sua reação?


