Desaceleração? ‘Prévia’ do PIB robusta esfria aposta de corte da Selic em janeiro

IBC-Br de novembro teve alta acima do esperado, e média móvel trimestral indica trajetória de aceleração, segundo analistas The post Desaceleração? ‘Prévia’ do PIB robusta esfria aposta de corte da Selic em janeiro appeared first on InfoMoney.

Jan 16, 2026 - 14:00
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Desaceleração? ‘Prévia’ do PIB robusta esfria aposta de corte da Selic em janeiro

A alta de 0,7% no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) – indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) – trouxe surpresa ao mercado, que esperava uma média de aumento de 0,4% nos dados referentes a novembro. Segundo analistas, a leitura da média móvel trimestral, que busca eliminar distorções, também aponta robustez na atividade. 

A avaliação é que os dados divulgados hoje podem esfriar a expectativa pelo corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 27 e 28 de janeiro.

Setores

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destaca que os dados enfraquecem o consenso de desaceleração da atividade. Segundo ela, excluindo os dados do agronegócio, o IBC-Br mantém a mesma alta de 0,7%, um crescimento puxado por indústria (o,8%) e serviços (0,6%). 

André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a média móvel trimestral em novembro indicou crescimento de 0,2%, mantendo uma trajetória de aceleração pelo quarto mês consecutivo. “O indicador saiu de um recuo de 1,05% em agosto para uma alta de 0,2% em novembro”, aponta.

Como os dados de novembro trazem reflexos das promoções desta época do ano, há expectativa para que estes números sejam, em parte, “devolvidos” nos dados de dezembro. “A dúvida é a intensidade”, afirma Victal.

ÍndiceVariação mensal*Variação trimestral**
IBC-Br0,70,2
IBC-Br Agropecuária-0,31,9
IBC-Br Indústria0,8-0,8
IBC-Br Serviços0,60,4
IBC-Br Impostos1,1-0,4
IBC-Br ex-Agropecuária0,70
*Novembro sobre o mês anterior
**Setembro a Novembro
Fonte: Banco Central, dados dessazonalidados

Corte de juros

Para Gustavo Gonzaga, economista-chefe da Necton Investimentos, os dados do IBC-Br indicam que o balanço de riscos ainda conta com vetores inflacionários relevantes. No entanto, a leitura das métricas acumuladas mostram uma desaceleração – mas ainda não tão intensa. Para ele, o corte de juros deve vir em março.

Valério, do Inter, também segue a mesma linha de análise. “Esse resultado, em conjunto com o dado de inflação divulgado na semana passada, praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro”, avalia. Para ele, o corte deve vir em março.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, faz uma leitura dos dados do IBC-Br aliada ao mercado de trabalho: com uma atividade econômica aquecida, e a população com emprego e renda elevada, a demanda deve continuar em alta, impactando a inflação. Dinâmica que também leva a um cenário de juros mais altos para segurar os preços.

Victal também projeta corte de juros apenas em março. “O corte já em janeiro nos parece precipitado, dada a incerteza do comportamento da atividade econômica, que apresentou bom desempenho em novembro, e há resiliência no mercado de trabalho”, avalia.

Projeção do PIB

Os dados do PIB de 2025 ainda não foram divulgados. Para a Necton Investimentos, a projeção é de crescimento do PIB em 2025 de 2,5%. A SulAmérica Investimentos estima alta de 2,3%, e o Inter projeta PIB de 2,1%.

A projeção do PIB divulgada no Boletim Focus desta semana é de 2,23%.

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