Memória Interação - A Carta de Araxá - 1985
Neste mês de março está completando 41 anos da realização de um movimento inédito e decisivo para nortear os destinos da arte e cultura nacionais no Brasil, após o período de ditadura do regime militar no país. Logo após a eleição do presidente Tancredo Neves, Araxá sediou entre os dias 5 e 7 de março de 198, no Grande Hotel do Barreiro, o Iº Encontro de Música Popular Brasileira. Um movimento único, que reuniu em Araxá, aproximadamente 200 artístas, entre músicos, interpretes, compositores e intelectuais de expressão nacional. O encontro foi organização pelo músico e compositor mineiro Fernando Brant, com apoio da Secretaria de Cultura de Minas Gerais, Fundação Cultural Calmon Barreto, Prefeitura de Araxá e Turminas.
A marcante liderança de Fernando Brant
Além de compositor, Fernando Brant foi repórter da revista “O Cruzeiro”, trabalhou com publicidade e atuou como diretor de criação da rádio Inconfidência, sempre em Belo Horizonte. O engajamento político que demonstrou nos anos 1960 o acompanhou por toda a vida e, por meio da música, ele militou pelas causas em que acreditava. Durante a campanha das Diretas Já, no início dos anos 1980, apoiou Tancredo Neves no histórico movimento pela redemocratização do país. E foi nessa mesma época, mais precisamente em 1985, que Brant foi um dos signatários da “Carta de Araxá”. documento redigido durante o Congresso Nacional de Música Popular, na cidade mineira de Araxá, e entregue a Tancredo. Ampla, continha análises sobre problemas ligados ao direito autoral, adversidades enfrentadas pelos músicos no mercado de trabalho e até discussão sobre formação musical para crianças. Muitos outros nomes importantes da MPB assinaram a carta. Esse foi apenas um dos seus muitos lances como defensor do seu ofício e dos direitos da classe.
A grande impressa nacional em Araxá
O encontro naquela época agitou Araxá e atraiu para a cidade a imprensa nacional. Além da cobertura dos órgãos locais (Correio de Araxá, Jornal das Geraes, Jornal o Tempo, Rádio Imbiara e Rádio Cidade); aportaram no Barreiro, equipes das TVs Globo, Manchete e Cultura, Jornais O Estado de Minas, O Globo e Folha de São Paulo, Rádios Itatiaia, Tupi, Inconfidência, Guarani, Globo e Jovem Pan, revistas Manchete, Contigo, Veja e Isto É. O encontro ganhou destaque nos principais telejornais e capas de jornais e revistas.
Grandes nomes da arte e cultura do Brasil
E finalidade desse Iº Encontro de Música Popular Brasileira, em Araxá foi a discussão e redação da “Carta de Araxá”, um documento redigido durante o Congresso Nacional de Música Popular, na cidade mineira de Araxá, e entregue ao presidente Tancredo Neves. A Carta era ampla, continha análises sobre problemas ligados ao direito autoral, adversidades enfrentadas pelos músicos no mercado de trabalho e até discussão sobre formação musical para crianças. Muitos outros nomes importantes da MPB assinaram a carta. Esse foi apenas um dos seus muitos lances como defensor do seu ofício e dos direitos da classe.
Artistas e nomes famosos da arte, música e cultura Brasileira invadem Araxá
E durante três dias, cerca de 200 artistas estiveram reunidos no Grande Hotel do Barreiro em Araxá e até fizeram um show improvisado em cima de um caminhão ao lado da antiga rodoviária do Barreiro. Entre eles:
Gonzaguinha, Joyce, Paulinho Tapajós e Ronaldo Bastos, Milton Nascimento, Belchior, Fagner, Gal Costa, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Fafá de Belém, Caetano Veloso, Sivuca, Maria Bethânea, Luiz Melodia entre outros, que abraçaram a luta pela garantia desses direitos no Brasil. Juntos, contribuíram para conquistas significativas, como a inclusão do artigo que garante a defesa dos direitos do autor na Constituição de 1988. Dez anos mais tarde, a grande conquista foi a promulgação da Lei de Direitos Autorais.





