Memória Interação: Josefa Carneiro de Mendonça
Josefa Carneiro de Mendonça nasceu em Santa Luzia de Goiás (GO), em 1780, e mudou-se na infância para Araxá (MG). Quando eclodiu a Revolução Liberal de 1842, em oposição à política conservadora do segundo ministério de Pedro II, Josefa Maria Roquete Batista Franco Carneiro de Mendonça (1780-1855), uma das líderes da porção mineira da Revolução Liberal de 1842. Em 1842, uma rebelião contra a política do ministério conservador de Pedro II, estourando na Província de São Paulo, se irradiou para Minas Gerais onde, por cerca de sessenta dias, os rebeldes enfrentaram o exército do barão de Caxias que veio a derrotá-los, como já havia feito com os paulistas três meses antes. O movimento ficaria conhecido como Revolução Liberal de 1842 e uma de suas figuras principais em Minas foi Josefa Carneiro de Mendonça, de família influente, dona de terras e de escravos, que assumiu a liderança da luta no Araxá e no oeste da Província aos 60 anos de idade, planejando golpes, aliciando, armando combatentes e dando todo o tipo de suporte aos revoltosos. Presa, passou três meses em uma solitária úmida e escura, foi julgada e inocentada graças à habilidade de seu defensor que fez convergir para um dos filhos – chefe revolucionário também – todas as acusações atribuídas a ela. Em 14 de março de 1844, o imperador concedeu anistia a todos os implicados no movimento. O núcleo familiar de Josefa deixou Minas e se estabeleceu em Petrópolis (RJ), onde suas terras dariam origem, anos depois, a um bairro conhecido como Posse dos Carneiros – hoje, simplesmente Posse. Foi também em Petrópolis que ela morreu, em 1855. Ainda hoje, sobre Josefa pouco se conhece além das raízes familiares, da descendência numerosa e da mudança para Petrópolis com a família depois da derrota liberal em Minas.
O Palco da Batalha
Ainda de acordo com os registros sobre o braço da Revolução de 1842 em Araxá, os estudos dão conta de que a batalha sangrenta se deu em seu ápice no largo da igreja de São Sebastião, na parte antiga da cidade. Um confronto que teria deixado mortos e feridos das duas partes
O Livro Dona Josefá
Em 2019, a consagrada escritora brasileira Luisa Escorel por meio da editora Ouro Sobre Azul, lançou o livro “ Dona Josefa”, onde reimagina a história de Josefa Maria Roquete Batista Franco Carneiro de Mendonça (1780-1855), uma das líderes da porção mineira da Revolução Liberal de 1842. Revoltados com o poder centralizador do novo gabinete conservador do então muito jovem d. Pedro II, os liberais protestavam contra medidas fortemente centralizadoras, como mudanças no Código Penal (de acordo com novas leis o imperador nomearia pessoalmente juízes, promotores e chefes de polícia). A revolução não tinha, porém, aspirações reformistas, todos lutavam “pelo” nome do imperador.
No cárcere, a personagem (fictícia) relembra histórias do seu casamento, remói erros da revolução falha da qual fez parte e desenvolve uma relação com Salvador, um preso “faz-tudo”, que também lhe conta histórias do conflito. Tudo numa linguagem com requintes regionalistas.
A escritora começou a escrever há pelo menos cinco anos. “O estímulo para escrever o romance surgiu das circunstâncias particularíssimas dessa oligarca – salvo engano a única no Brasil, em seu tempo – que, envolvida numa resistência armada a d. Pedro II foi presa, posta em uma solitária por dois meses e meio, num país que tem como hábito e tradição passar ao largo das irregularidades cometidas pelas classes dominantes”, diz Ana Luisa Escorel. A escritora lançou o livro Dona Josefa em Araxá no dia 4 de junho de 2019 no auditório da ACIA, dentro do projeto literário Sempre Um Papo.





