Memória Interação: Josefa Carneiro de Mendonça

Abr 29, 2026 - 14:33
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Memória Interação:	 Josefa Carneiro de Mendonça

Josefa Carneiro de Mendonça nasceu em Santa Luzia de Goiás (GO), em 1780, e mudou-se na infância para Araxá (MG). Quando eclodiu a Revolução Liberal de 1842, em oposição à política conservadora do segundo ministério de Pedro II, Josefa Maria Roquete Batista Franco Carneiro de Mendonça (1780-1855), uma das líderes da porção mineira da Revolução Liberal de 1842. Em 1842, uma rebelião contra a política do ministério conservador de Pedro II, estourando na Província de São Paulo, se irradiou para Minas Gerais onde, por cerca de sessenta dias, os rebeldes enfrentaram o exército do barão de Caxias que veio a derrotá-los, como já havia feito com os paulistas três meses antes. O movimento ficaria conhecido como Revolução Liberal de 1842 e uma de suas figuras principais em Minas foi Josefa Carneiro de Mendonça, de família influente, dona de terras e de escravos, que assumiu a liderança da luta no Araxá e no oeste da Província aos 60 anos de idade, planejando golpes, aliciando, armando combatentes e dando todo o tipo de suporte aos revoltosos. Presa, passou três meses em uma solitária úmida e escura, foi julgada e inocentada graças à habilidade de seu defensor que fez convergir para um dos filhos – chefe revolucionário também – todas as acusações atribuídas a ela. Em 14 de março de 1844, o imperador concedeu anistia a todos os implicados no movimento. O núcleo familiar de Josefa deixou Minas e se estabeleceu em Petrópolis (RJ), onde suas terras dariam origem, anos depois, a um bairro conhecido como Posse dos Carneiros – hoje, simplesmente Posse. Foi também em Petrópolis que ela morreu, em 1855. Ainda hoje, sobre Josefa pouco se conhece além das raízes familiares, da descendência numerosa e da mudança para Petrópolis com a família depois da derrota liberal em Minas.

O Palco da Batalha

Ainda de acordo com os registros sobre o braço da Revolução de 1842 em Araxá, os estudos dão conta de que a batalha sangrenta se deu em seu ápice no largo da igreja de São Sebastião, na parte antiga da cidade. Um confronto que teria deixado mortos e feridos das duas partes

O Livro Dona Josefá

Em 2019, a consagrada escritora brasileira Luisa Escorel por meio da editora Ouro Sobre Azul, lançou o livro “ Dona Josefa”, onde reimagina a história de Josefa Maria Roquete Batista Franco Carneiro de Mendonça (1780-1855), uma das líderes da porção mineira da Revolução Liberal de 1842. Revoltados com o poder centralizador do novo gabinete conservador do então muito jovem d. Pedro II, os liberais protestavam contra medidas fortemente centralizadoras, como mudanças no Código Penal (de acordo com novas leis o imperador nomearia pessoalmente juízes, promotores e chefes de polícia). A revolução não tinha, porém, aspirações reformistas, todos lutavam “pelo” nome do imperador.

O livro conta um período anterior ao julgamento: a ação se dá nos três meses em que Josefa ficou presa em uma solitária na Câmara de São Domingos do Araxá, por conta do seu envolvimento nas contestações políticas, quando ela já estava com mais de 60 anos.

No cárcere, a personagem (fictícia) relembra histórias do seu casamento, remói erros da revolução falha da qual fez parte e desenvolve uma relação com Salvador, um preso “faz-tudo”, que também lhe conta histórias do conflito. Tudo numa linguagem com requintes regionalistas.

A escritora começou a escrever há pelo menos cinco anos. “O estímulo para escrever o romance surgiu das circunstâncias particularíssimas dessa oligarca – salvo engano a única no Brasil, em seu tempo – que, envolvida numa resistência armada a d. Pedro II foi presa, posta em uma solitária por dois meses e meio, num país que tem como hábito e tradição passar ao largo das irregularidades cometidas pelas classes dominantes”, diz Ana Luisa Escorel. A escritora lançou o livro Dona Josefa em Araxá no dia 4 de junho de 2019 no auditório da ACIA, dentro do projeto literário Sempre Um Papo.