Mudanças climáticas e uso da terra colocam abelhas em risco

Ago 19, 2025 - 15:01
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Mudanças climáticas e uso da terra colocam abelhas em risco

A população mundial de insetos está em colapso, com mais de 40% de todas as espécies enfrentando risco de extinção. Os grupos mais afetados incluem antigos conhecidos: borboletas, mariposas, abelhas, vespas e besouros rola-bosta. O desaparecimento iminente desses animais representa sérias ameaças à segurança alimentar global, ao funcionamento adequado dos ecossistemas e à biodiversidade em escala planetária. O cenário é ainda mais grave para as espécies de abelhas, que são indicadores sensíveis da saúde dos ecossistemas. Um estudo feito na Alemanha publicado recentemente aponta que a complexa interação entre mudanças climáticas e o uso humano da terra, que engloba a agricultura e urbanização, é o principal problema subjacente ao rápido declínio das populações de insetos. Cientistas afirmam que a agricultura é a principal responsável pelo declínio populacional de animais não relacionados, como aves e mamíferos insetívoros. Mas como as mudanças no uso da terra e do clima interagem entre si para impactar as comunidades de insetos em diferentes habitats? Embora as abelhas sejam ativas durante o dia, quando geralmente está mais quente, os cientistas descobriram que o aumento das temperaturas noturnas, particularmente quando combinado à urbanização, era prejudicial, criando “armadilhas climáticas” em que abelhas e outros insetos lutam para sobreviver mesmo em locais com alguma proteção ambiental.  Além disso, temperaturas mais altas durante a noite reduziram de forma consistente tanto a diversidade quanto a abundância de abelhas em todos os tipos de habitat investigados. O problema é mais grave para os insetos do que para os humanos, porque são organismos ectotérmicos, ou seja, que não conseguem regular a temperatura corporal como humanos. E o  metabolismo das abelhas é determinado pelas condições externas de temperatura. Por isso compreender a relação entre as mudanças climáticas e uso da terra é essencial para desenvolver estratégias de conservação que protejam as populações de insetos.

Como proteger as abelhas

As conclusões do estudo têm implicações importantes para a agricultura e para práticas de gestão territorial, pois muitos insetos predadores desempenham um papel crítico no controle natural de pragas e na polinização. Esse efeito negativo pode ser mitigado pela manutenção de um mosaico de áreas agrícolas intercaladas com habitats naturais, que sejam adequados para sustentar insetos essenciais à produção de alimentos. O estudo destacou a importância da proteção e restauração de paisagens que mantém a ligação entre florestas e pastagens, permitindo que os insetos nativos se desloquem entre esses habitats naturais. Essa medida é essencial porque polinizadores e predadores respondem de maneiras diferentes aos estresses ambientais e ao aumento das temperaturas noturnas, o que pode romper com o equilíbrio entre eles, parte fundamental para o funcionamento ideal dos ecossistemas. A constatação mais preocupante do estudo é a de que mesmo alterações climáticas sutis podem amplificar pressões humanas já existentes sobre os ecossistemas, de maneiras complexas e inesperadas.

 

À medida que as temperaturas ambientais continuam a subir, entender as reações dos insetos — especialmente dos polinizadores, como as abelhas — será essencial para garantir a segurança alimentar global e, de fato, para proteger a vida na Terra.

Fonte: Forbes -  “GrrlScientist”

Redação - JI Redação do Jornal Interação da Cidade de Araxá - Minas Gerais.