“Bondades” do governo somam até R$ 190 bilhões; impacto no PIB é de 1,4 p.p., diz XP
Cálculos da XP apontam que as medidas de estímulo podem impulsionar a atividade em até 1,4 ponto percentual, mas analistas alertam que o efeito real na economia tende a ser menor. The post “Bondades” do governo somam até R$ 190 bilhões; impacto no PIB é de 1,4 p.p., diz XP appeared first on InfoMoney.

Se o endividamento das famílias e os juros altos estão desacelerando o consumo, o governo vem com um pacote de medidas para aliviar o bolso dos brasileiros. Um relatório das equipes de Macro Research e de Política da XP, divulgado nesta quarta-feira (20), aponta que os estímulos de crédito e renda podem gerar um impacto potencial de até 1,4 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, somando quase R$ 190 bilhões.
A XP aponta que o governo está acelerando a divulgação dessas medidas devido às regras do ano eleitoral. Em um mês, foram feitos quatro anúncios, que devem ser viabilizados até 4 de julho para não esbarrar nas limitações do pleito. A partir desta data, começam a vigorar as restrições de conduta do período eleitoral, inviabilizando novos lançamentos.
Entre as ações que já anunciadas, o destaque mais recente foi voltado a motoristas de aplicativos e taxistas, que terão acesso a um crédito subsidiado de até R$ 30 bilhões. O pacote das últimas semanas também inclui financiamento para a renovação de frotas de caminhões e ônibus, linha para máquinas agrícolas, e o relançamento do programa de renegociação de dívidas, o novo Desenrola. Estímulos à renda e ao crédito Iniciativa R$ bilhões Impacto no PIB (p.p.) Reforma do IRPF (isenção e descontos) 33,5 0,25 Crédito para motoristas de aplicativos e taxistas * 30,0 0,22 Crédito consignado para trabalhadores do setor privado 28,0 0,21 Programa de renegociação de dívidas (Desenrola 2.0) 22,0 0,16 Programa Brasil Soberano – crédito subsidiado para empresas 21,0 0,15 Crédito para renovação das frotas de caminhões e ônibus (Move Brasil 1 e 2) 20,5 0,15 Novo Crédito Imobiliário 10,0 0,07 Crédito para reformas residenciais (Reforma Casa Brasil) 9,5 0,07 Ampliação do programa Minha Casa Minha Vida (Faixas 3 e 4) 8,0 0,06 Subsídios na conta de luz para famílias de baixa renda (Luz do Povo) 4,5 0,03 Vale-gás para famílias de baixa renda (Gás do Povo) 1,7 0,01 Total 188,7 1,38
Fonte: Governo Federal, Secretaria do Tesouro Nacional, XP
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Nova fase do Desenrola e foco na construção civil
Nas próximas semanas, o governo deve viabilizar pelo menos duas novas frentes. A primeira é a segunda etapa do Desenrola, que desta vez terá como foco os correntistas adimplentes (que estão com as contas em dia), com o objetivo de liberar renda disponível no curto prazo.
A segunda é um novo estímulo à construção civil, por meio da Estratégia Nacional da Construção Industrializada, que receberá o selo de “Constrói Mais Brasil” e pretende acelerar a entrega de moradias do programa Minha Casa Minha Vida.
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Impacto real: R$ 190 bi chegam na economia?
Apesar dos valores expressivos, o relatório da XP ressalva que o impacto dos R$ 190 bilhões anunciados representam um limite máximo das medidas.
Segundo a XP, o efeito líquido dos anúncios sobre o PIB de 2026 tende a ser inferior a 1,4 p.p., uma vez que nem todos os recursos disponibilizados nas novas linhas de crédito costumam ser efetivamente tomados pelo público.
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Projeção de crescimento e balanço de riscos
Ainda assim, mesmo que o dinheiro não chegue à economia, uma parcela relevante vai se traduzir em consumo e investimento.
Para os analistas, isso significa que a projeção atual de crescimento de 2,0% para o PIB ganha um forte motor extra, com o balanço de riscos se tornando assimétrico para cima, compensando inclusive os ruídos de pressões inflacionárias externas.
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