Ação Social Parte I: Cufa e Marcha Mundial das Mulheres
Dra. Karina Prado - Advogada, Escritora e Palestrante - Instagram:@karinaprado.adv
Neste mês de janeiro, como a advogada está de férias, escreverei sobre as instituições que ajudo, começando pelas ações desenvolvidas pela querida Marisa Rufino, cujo trabalho apoio há 11 anos.
Marisa é Coordenadora da CUFA (Central única das Favelas), afro empreendedora, turbancista, recreadora, artesã, carnavalesca, curadora da exposição Muros Invisíveis do 10.º Fliaraxá e teve participação na 1ª websérie da CBMM em 2022 “Pessoas que Transformam”!
Ela realiza um belíssimo e importante trabalho à frente da CUFA na cidade de Araxá, ajudando várias famílias em situação de vulnerabilidade de forma consciente. Participa de várias ações sociais como a Mesa da gentileza, Pizza do bem em prol da educação e Festival do Sorvete em prol da Associação Casa de Luiza.
Também empreende no Turbantes da Preta, que valoriza a beleza da mulher afro, a história e o calor da mulher negra, fazendo um paralelo do turbante com a coroa.
Além disto possui o Bloco de Carnaval Preta Preta Pretinha desde 2017 dado a necessidade de colocar as pretas em evidência.
Em novembro de 2025, liderou por Araxá, um dos mais potentes movimentos políticos do país: a Marcha Nacional das Mulheres Negras. onde cerca de 200 mulheres negras do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba seguiram juntas rumo à capital federal, reafirmando uma trajetória coletiva de luta, fé, resistência e construção de futuros possíveis.
Essas mulheres vêm de quilombos, comunidades rurais e periferias urbanas. São trabalhadoras, mães, cuidadoras, lideranças comunitárias e guardiãs da ancestralidade afro-brasileira. Em seus corpos e vozes, carregam as marcas e as potências de quem sustenta o Brasil real, apesar das desigualdades estruturais que insistem em atravessar suas vidas. Marchar, para elas, não é apenas um ato simbólico, mas um gesto político profundo, que reivindica direitos, reparações históricas e o Bem Viver como horizonte civilizatório.
Todas marcham por reparações e pelo Bem Viver, conectadas a uma mobilização ainda maior: estima-se que cerca de 300 mil mulheres, vindas de diversas regiões do Brasil e do mundo, participarão da Marcha Nacional das Mulheres Negras 2025.
A presença do Triângulo e do Alto Paranaíba também se expressa na formação política e na articulação internacional. Marisa, uma das participantes, foi selecionada pelo Instituto Alziras para uma formação política sobre a presença e o papel das mulheres negras na política institucional, realizada na Câmara dos Deputados, na sala da Secretaria da Mulher. Além disso, participou de atividades da ALBA e da Marcha Mundial das Mulheres, dialogando com mulheres negras de diversos países africanos, ampliando redes, saberes e estratégias de luta.
Apoiar essa mobilização é assumir um compromisso com a justiça social, a democracia e a reparação histórica. A Marcha Nacional das Mulheres Negras não é apenas um evento: é um chamado à responsabilidade coletiva e à construção de um país mais justo para todas e todos.
Marisa Rufino é uma mulher que tem minha admiração, possui colo e olhar aconchegante, uma esperança infinita e uma garra de leoa.





