Setembro Verde – Mês dedicado à conscientização sobre a inclusão social

Dra. Karina Prado - Advogada, Escritora e Palestrante - Instagram:@karinaprado.adv

Set 5, 2025 - 09:21
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Setembro Verde – Mês dedicado à conscientização sobre a inclusão social

Nesta semana escreveremos em homenagem ao Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a inclusão social das pessoas com deficiência. Essa campanha tem como objetivo ampliar o debate, dar visibilidade à causa e mobilizar a sociedade para cobrar do poder público políticas efetivas de acessibilidade e inclusão. É um período simbólico e estratégico, que busca não apenas informar, mas também provocar transformações na maneira como as pessoas com deficiência são vistas e tratadas em nosso país.

A luta das pessoas com deficiência é histórica e ainda marcada pelo enfrentamento ao capacitismo, termo que designa o preconceito e a discriminação direcionados a esse grupo. O capacitismo pode aparecer de diferentes formas: barreiras arquitetônicas que dificultam a mobilidade, ausência de recursos de acessibilidade digital, práticas pedagógicas que desconsideram as necessidades específicas de aprendizagem, atitudes de desvalorização das capacidades e julgamentos sobre suposta inferioridade. Trata-se de um preconceito estrutural, muitas vezes naturalizado, mas que precisa ser enfrentado cotidianamente.

Ainda que lentamente, temos avançado no processo inclusivo. Dois marcos importantes precisam ser lembrados. O primeiro é a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006), que foi ratificada pelo Brasil com status de Emenda Constitucional. Esse documento estabelece que a deficiência não está na pessoa, mas nas barreiras sociais e ambientais que dificultam sua plena participação. O segundo é a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, que regulamenta direitos fundamentais e reforça a obrigação do poder público e da sociedade em garantir acessibilidade e igualdade de oportunidades.

Apesar desses avanços, a realidade ainda está distante do ideal. De acordo com o De acordo com os dados mais recentes divulgados em maio de 2025, referentes ao Censo Demográfico 2022, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais de idadeEsse dado reforça que não estamos tratando de uma minoria invisível, mas de uma parcela expressiva da sociedade, que ainda enfrenta desafios significativos no acesso a direitos básicos.

Na educação, muitas escolas ainda não possuem recursos de acessibilidade, profissionais preparados ou materiais adaptados para atender a todos os estudantes. Como consequência, pessoas com deficiência enfrentam maior evasão escolar, o que compromete suas oportunidades futuras.

No mercado de trabalho, apesar da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991) obrigar empresas com mais de 100 funcionários a destinarem uma parcela de vagas a pessoas com deficiência, ainda predominam postos de baixa qualificação, que não favorecem o desenvolvimento de carreiras ou remuneração justa. Isso perpetua a desigualdade econômica e social.

Outro desafio contemporâneo é a acessibilidade digital. Com o crescimento das interações online, seja em educação a distância, teletrabalho ou serviços públicos digitais, garantir que plataformas, sites e aplicativos sejam realmente acessíveis tornou-se essencial. Pessoas cegas, surdas ou com limitações motoras frequentemente encontram obstáculos no mundo digital, o que amplia as barreiras já existentes no espaço físico.

O Setembro Verde nos lembra que a inclusão não deve ser pauta apenas de um mês, mas uma prática diária. Falar em inclusão é falar em justiça social, diversidade e respeito. É reconhecer que a diferença não diminui ninguém, mas amplia o coletivo. Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não se contenta em criar espaços separados, mas constrói ambientes em que todas as pessoas possam conviver, aprender, trabalhar e se desenvolver de forma plena.

Mais do que combater o preconceito, precisamos fomentar políticas públicas eficazes, estimular a responsabilidade social das empresas, investir em formação de profissionais e promover campanhas educativas que desconstruam o capacitismo. Também é papel de cada cidadão repensar atitudes cotidianas, questionar estereótipos e ampliar a empatia.



Dra. Karina Prado Dra. Karina Prado, advogada pós-graduada pela UFU, MBA em Gestão pela FGV e certificação Ancord da CVM. Colunista Jurídica em Jornal, Rádio e Revista. Membra das Comissões Estaduais de Sucessões da OAB MG, de Planejamento Sucessório e Holdings da OAB SP, de Planejamento Patrimonial da Família da OAB RJ e PPS e PCD da OAB de Uberlândia. Professora, Palestrante e autora de livro e artigos científicos jurídicos em revistas jurídicas e sites jornalísticos. Co-founder do Grupo Roda de Empreendedorismo com Elas que já impactou mais de 5000 mulheres que empreendem. Premiada como Advogada Destaque em sua área de atuação nos anos de 2022,2023, 2024 e 2025. Instagram: @karinaprado.adv