Um Abraço de Feliz Natal e Própero Ano Novo
Dra. Karina Prado - Advogada, Escritora e Palestrante - Instagram:@karinaprado.adv
Estamos imersos no clima do final de ano, tempo em que a magia do Natal se entrelaça com a esperança do Ano Novo. Assim, a advogada pede licença para, por um instante, deixar falar o coração e compartilhar com cada leitor um desejo sincero. Recebam um abraço de Feliz Natal e votos de um Próspero Ano Novo.
No último final de semana, tive o prazer de ler uma crônica que me tocou profundamente e que agora desejo dividir com você. Que, ao lê-la, permita-se refletir e imaginar-se acolhido dentro de um abraço. A crônica é de autoria de Bruno Riffel, geólogo nascido em Porto Alegre e cidadão honorário araxaense.
Bruno Riffel é coautor das obras Nuvens de Palavras – Volume 5 e A Serra da Canastra e o Rio Paraná. É também autor de O Resgate do Menino Budi, livro cuja renda, proveniente das vendas realizadas pela Nobel e pela Amazon, é integralmente destinada ao SOS Araxá (Serviços e Obras Sociais).
O ABRAÇO
Passamos o réveillon de 2016 em Bangkok e, em público, não podíamos nos abraçar. O regime militar autoritário, sob tutela de uma monarquia, proibia o contato físico e qualquer demonstração pública de afeto. Quem governava pela desumanização temia nossos perigosos vínculos. Fomos rebeldes e nos abraçamos, tornando a dureza desnecessária.
Habitamos estados instáveis, sempre em passagem do vínculo ao rompimento, da segurança à dúvida, da presença à perda. O abraço funciona como ponte provisória ligando estados que não dominamos.
No gesto que acolhe, dois corpos aceitam um pacto: “estou aqui, você não está só”. Ele torna o outro legítimo sem condições prévias, contrato ou promessa. Você existe para mim: não é objeto, função ou número.
Os abraços confirmam laços e oferecem continuidade à vida quando as palavras falham ou se excederiam. Um bom abraço conhece o tempo do outro, não é protocolo nem invasão.
Abraçamos porque somos finitos, para admitir que precisamos, sabendo que não abraçaremos sempre. Abraçamos para comemorar.
Sentimos saudade de certos abraços porque eles aconteciam no momento certo, aguardado, necessário. Neles não precisávamos nos explicar e nos mantinham de pé. Muitos pertenciam a um corpo que já não existe e guardavam uma versão minha que não sobreviveu.
Há momentos em que pensar se mostra insuficiente e o desejo de abraçar surge porque o mundo oferece pouco acolhimento. O abraço recalibra a escala da realidade e altera o horizonte do possível.
Lembro daquele abraço que aceitou o que eu vivenciei. Naquele abraço, eu não estava sozinho diante do aleatório e da necessidade de esperar o inesperado. O abraço cria, por um curto momento, um aconchego onde é possível descansar.
O melhor abraço do mundo não promete nada e há nele algo elegante que não cobra. Do melhor abraço da vida fica o alívio: a fuga do peso sem alarde. Ele não exigia que eu me tornasse alguém para merecer estar ali.
Em um mero abraço, como aquele com o lado esquerdo do peito, coração com coração, tornamo-nos aptos a continuar humanos.
Bruno Fernando Riffel (@riffelbrunofernando)





