Viva Nossa Senhora d’Abadia! Parte 1

Jul 25, 2025 - 09:38
Nov 3, 2025 - 14:48
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Viva Nossa Senhora d’Abadia! Parte 1

Graças à Nossa Senhora d’Abadia, muitas mulheres de Araxá, ao longo do tempo, cumprindo seus votos, revelaram na sociedade, isso porque, entre as muitas manifestações de fé e religiosidade católica, a religiosidade popular é a expressão mais autêntica do sentimento e da relação do ser humano com o mundo espiritual. É a forma mais palpável de religião, porque nasce das necessidades do povo e dos valores revelados dentro do sistema cultural de cada comunidade. Muitas dessas devoções e expressões de fé foram e continuam sendo transmitidas oralmente. Em Araxá, alguns registros que se tornaram eternos encontram-se em antigos jornais e arquivos da Igreja Matriz de São Domingos. Hoje o Jornal Interação recupera essas histórias que encantam e inspiram os araxaenses e os devotos da santa de todos os cantos do Brasil.

Este é um costume religioso secular e, como tal, deve resistir à força do tempo e ser preservado. Uma das formas de mantê-lo é a produção das festas que, anualmente, se dirige ao santuário de Água Suja.

Araxá habituou-se a dar vivas à Nossa Senhora d’Abadia, ainda mais depois das manifestações de fé de algumas gerações de católicos que comungam da mesma fé. Alguns relatos históricos dão conta dos tempos em que os romeiros araxaenses iam todos os anos até a cidade de Romaria (no Triângulo Mineiro), para pagar promessas e buscar graças da santa protetora.

O fato de o antigo Triângulo Mineiro ter pertencido à antiga província de Goiás facilitava essa aproximação. A cidade de Romaria era rota de tropeiros que, com frequência, passavam por Araxá em direção à antiga capital de Goiás, Vila Boa (hoje Goiás Velho). Os caminhos dos romeiros eram os mesmos dos tropeiros. E, como se sabe, os caminhos dos tropeiros foram formados sobre trilhas do passado indígena. Populações de índios habitaram um e outro lugares no período anterior à colonização.

Proximidade geográfica, condições naturais e escolhas simplificadas, estas eram, inclusive no século XIX, que cruzavam essas rotas e convivência entre os ciclos da mineração e os de gado. Com diferentes influências, tanto de dentro quanto de fora das Minas Gerais, determinaram os caminhos que se dirigiam até o santuário de Nossa Senhora d’Abadia.

Eclesiasticamente, todo o Triângulo esteve subordinado a Goiás até o século XIX. Bem antes da construção do santuário, já existia a devoção popular à santa da abadia francesa. Nessa mesma época, foi realizada em Goiás a fundação da cidade de Abadia, por frades beneditinos, segundo relatos de antigos moradores. A imagem que ficou popularmente conhecida como Nossa Senhora da Abadia teria sido trazida por missionários europeus e chegou ao Brasil por volta do século XVII.

Existem referências que indicam que a santa já era popular quando aconteceu a Guerra do Paraguai (1865-1870). Nessa ocasião homens da Guarda Nacional passaram por nossa região e a ideia de Goiás, em peregrinação, tornou-se inabalável.

Por volta de 1869, os fiéis conseguiram autorização para construir uma igreja invocando a proteção de Nossa Senhora da Abadia. A capela em Água Suja, hoje Romaria, de

veu-se à persistência de um grupo de devotos que queriam construir uma igreja e realizar a festa da padroeira local, a fim de permitir que os devotos da redondeza pudessem participar da celebração, já que o caminho até a cidade de Abadia era longo e difícil de se passar ou circular.

Com o tempo, a cidade de Água Suja recebeu o nome de Romaria, em função das festas que ali passaram a ocorrer todos os anos. A vila foi elevada à categoria de município em 1889, dando origem ao atual município de Romaria, que hoje é um dos principais destinos religiosos do interior do Brasil.

Todos os anos, a cidade recebe cerca de 500 mil visitantes. Entre esses, estão muitos araxaenses. De acordo com registros de antigos jornais, em setembro de 1939 e 1940, dezenas de romeiros saíram de Araxá com destino à cidade de Romaria. Eles se reuniram para pagar promessas, agradecer graças e realizar a festa. Em registros fotográficos guardados em arquivos da Matriz de São Domingos, é possível encontrar fotos de fiéis que participaram das romarias (inclusive ao lado do ex-prefeito de Araxá, Antônio Carlos), no mesmo lugar onde se encontra a Matriz de São Domingos.

A Matriz ocupou o espaço da antiga Igreja d’Abadia, demolida na mesma época da reurbanização de Araxá, quando duras intervenções foram feitas para dar lugar à nova e atual nova Matriz, em 1911, inclusive ao espaço remodelado até hoje.

Continua na próxima edição ( fonte: Revista O Trem da História de 2003).


Redação - JI Redação do Jornal Interação da Cidade de Araxá - Minas Gerais.